EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




segunda-feira, 30 de julho de 2012

Entre Segredos e Mentiras


Bate e Assopra

A arte não precisa ficar atada ao formalismo de versões oficiais. O artista goza de uma liberdade que o permite expor uma ótica pessoal sobre qualquer assunto. Se por vezes esse processo acarreta mensagens ideologicamente equivocadas ou fomenta atos rechaçados pela moral e pela ética, cabe ao público exercer a filtragem sobre aquilo que é válido – interpretação essa que jamais há de se confundir nem ser realizada pelo aparato estatal, sob pena de atos de censura serem praticados. 
Dentro deste contexto, Entre Segredos e Mentiras (EUA, 2010) discorre sobre crimes que nunca foram plenamente desvendados pela polícia nem satisfatoriamente punidos pelo Poder Judiciário norte-americano. Buscar estabelecer uma conexão e até mesmo uma autoria aqueles atos é o que pretende o diretor Andrew Jarecki que, entretanto, titubeia perante o roteiro e, assim, ora sugere sem eufemismos as conclusões que judicialmente não foram atingidas ora volta atrás e se põe em cima do muro como que a deixar ao espectador a tarefa de encontrar ou não um culpado. Tivesse o cineasta enveredado apenas por um ou outro caminho, seu filme restaria mais autêntico. A indecisão ou falta de coragem em assumir em definitivo uma postura prejudica consideravelmente um trabalho a princípio bem intencionado que só não cai imediatamente no esquecimento em razão das interpretações dos sempre ótimos Ryan Gosling, Kirsten Dunst e Frank Langella. Nas mãos de outro realizador, como, por exemplo, David Fincher, o potencial da narrativa seria melhor explorado, assim como o talento dos atores seria mais bem aproveitado.

FICHA TÉCNICA
Título Original: All Good Things
Diretor: Andrew Jarecki
Produção: Andrew Jarecki, Michael London, Bruna Papandrea, Marc Smerling
Roteiro: Marcus Hinchey, Marc Smerling
Elenco: Ryan Gosling, Kirsten Dunst, Frank Langella, Lily Rabe, Michael Esper, Philip Baker Hall, Diane Venora, Nick Offerman, Kristen Wiig, Stephen Kunken
Fotografia: Michael Seresin                      Trilha Sonora: Rob Simonsen
Estreia no Brasil: 21.10. 2011                   Estreia Mundial: 5.11.2010
Duração: 110 min.

domingo, 29 de julho de 2012

Sentidos do Amor


Romance Apocalíptico

Uma pandemia de feições apocalípticas faz com que aos poucos os seres humanos percam sentidos como olfato, audição e visão. Em meio a um cenário tão perturbador será possível um sentimento nobre como o amor permanecer vivo diante do individualismo que emerge como nunca em nome da sobrevivência?
Ao buscar tal resposta Sentidos do Amor (Alemanha/Reino Unido, 2011) se revela como um formato diferente e, por isso, original de romance, gênero tão castigado pela repetitividade e pieguice de tantos realizadores. Neste sentido, é por ser, sobretudo, uma história de amor de fim dos tempos que o longa-metragem também há de ser afastado da comparação que a ele é comumente feita com Ensaio Sobre a Cegueira (Brasil/Japão/Canadá, 2008); afinal, inegável é o valor próprio do primeiro, resultado, vale dizer, de objetivos mais modestos e, por conseguinte, mais bem sucedidos do que aqueles vistos na obra de Fernando Meirelles¹.
Com efeito, merece destaque a direção de David Mackenzie seja pela criatividade com que simula o caos a partir de um recurso, a princípio, parco como a colagem de imagens reais e pré-registradas, seja pela eficiência com que mescla a linguagem documental das sequências supracitadas com uma toada poética visualizada tanto na moldura do trabalho de fotografia, quanto no conteúdo representado pela utilização inteligente de narração em voz over, seja, por fim, pela destreza com que conduz o elenco, quesito esse, aliás, no qual brilham as performances de Eva Green e Ewan McGregor. Juntos os atores tornam palpável a intimidade do casal de protagonistas, qualidade, convenhamos, crucial na elaboração de qualquer título do gênero.
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1.  Baseado em original de José Saramago, o filme de Meirelles investiga o rompimento de limites éticos e o afloramento de instintos animalescos em situações de extrema desordem.

Ficha Técnica
Título Original: Perfect Sense
Direção: David Mackenzie                 
Roteiro: Kim Fupz Aakeson     
Produção: Gillian Berrie, Malte Grunert
Elenco: Ewan McGregor, Eva Green, Connie Nielsen, James Watson, Ewen Bremner, Stephen Dillane, Denis Lawson, Alastair Mackenzie, Richard Mack, Adam Smith, Shabana Akhtar Bakhsh, Caroline Paterson, Malcolm Shields, Liz Strange, Duncan Airlie James.
Fotografia: Giles Nuttgens               Trilha Sonora: Max Richter
Estreia no Brasil: 30.01. 2011          Estreia Mundial: 24.01.2011
Duração: 92 min.
Grande Cena: Sequência final. A perda de mais um sentido, a recuperação de um sentimento.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Espetacular Homem Aranha/Homem Aranha

                    Parcimoniosa Fidelidade

     Uma coisa há de ser reconhecida: O Espetacular Homem Aranha (EUA, 2012) é, a princípio, um projeto irrelevante ao público – que conferiu nos cinemas, há apenas cinco anos, o fechamento da trilogia comandada por Sam Raimi – mas necessário a produtores que não podem deixar morrer sua galinha dos ovos de ouro¹. Tendo em vista, portanto, que o filme é uma jogada despudoradamente comercial, chega a causar surpresa a parcimônia com que esta versão resetada é construída. Assim, enquanto o primeiro Homem Aranha (EUA, 2002) costurava vários pedaços de histórias originais num só roteiro – como forma de compor uma frenética trama de origem – a aventura dirigida por Marc Webb deve, por certo, agradar um número maior de fãs do aracnídeo em virtude da fidelidade com que se debruça sobre enredos clássicos dos gibis.
       Com efeito, as falhas que maculavam o longa-metragem de Raimi não são agora repetidas, visto que:
- Gwen Stacy (Emma Stone) tem sua participação corretamente garantida sob o aspecto cronológico, não tendo, desta feita, nem sua presença nem sua história surrupiadas de maneira precoce em favor de Mary Jane Watson (Kirsten Dunst);
- o senso de humor do herói ao lidar com seus oponentes é resgatado neste longa-metragem - tal como os lançadores mecânicos de teia, material este que, aliás, deixou de ser orgânico para, viva, assumir sua natureza artificial;
- o vilão Lagarto ganha um comportamento vacilante e, por isso, mais humano, o que o diferencia do Duende Verde² superficialmente escrito e canhestramente interpretado por Willen Dafoe em 2002.
          Se, por um lado, não acarreta qualquer inovação digna de nota para o personagem em meio ao imaginário coletivo, a obra de Marc Webb, por outro lado, serve para demonstrar que traições aos textos de origem, apesar de não raro exigidas pelos processos de adaptações cinematográficas, precisam de uma substancial razão para existirem, sob pena de tornarem banalizada e simplificada a ideia inspiradora. Graças a essa lição, O Espetacular Homem Aranha, a despeito de seu caráter irrelevante, é exemplo de “mais” que consegue superar o “do mesmo”. Por essa poucos esperavam...
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1.    “Inicialmente, o quarto filme do Homem-Aranha seria mais uma vez dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire e Kirsten Dunst, responsáveis pela trilogia original. Entretanto, divergências entre a Columbia Pictures e Sam Raimi sobre os rumos do personagem e os altos salários que seriam pagos ao trio fizeram com que o estúdio optasse por dispensá-los e recomeçar a história do herói aracnídeo do zero” (FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-128188/curiosidades/).
2.    Uma vez que os nomes Oscorp e Norman Osborn são citados ao longo deste novo filme, é de se esperar que a história do personagem seja dignamente contada numa possível sequência.
 
COTAÇÕES:
O Espetacular Homem Aranha - ۞۞۞۞
Homem Aranha - ۞۞۞

Ficha Técnica - O Espetacular Homem Aranha 

Título Original: The Amazing Spider-Man
Direção: Marc Webb
Roteiro: Alvin Sargent, James Vanderbilt, Steve Kloves
Produção: Avi Arad, Laura Ziskin, Matthew Tolmach
Elenco: Andrew Garfield (Peter Parker / Spider-Man)Annie Parisse (Mrs. Van Adder)C. Thomas Howell (Ray)Campbell Scott (Richard Parker)Charlie DePew (Philip Stacy)Chris Zylka (Flash Thompson)Denis Leary (George Stacy)Embeth Davidtz (Mary Parker)Emma Stone (Gwen Stacy)Irrfan Khan (Dr. Ratha)Martin Sheen (Ben Parker)Miles Elliot (Billy Connors)Rhys Ifans (Dr. Curt Connors / Lagarto)Sally Field (May Parker)Stan Lee
Estreia no Brasil: 06.07.2012                Estreia Mundial: 03.07.2012
Duração: 136 min.

Ficha Técnica -
Homem Aranha
Título Original: Spider-Man
Direção:Sam Raimi
Roteiro:David Koepp, Steve Ditko
Produção: Avi Arad, Grant Curtis, Heidi Fugeman, Ian Bryce, Laura Ziskin, Steven P. Saeta
Elenco: Ajay Mehta (Cabbie) Andray Johnson (Balkan's Aide) Bill Calvert (William Calvert)Bill Nunn (Joseph 'Robbie' Robertson)Brad Grunberg (Heckler) Chris Coppola (Kyle) Cliff Robertson (Ben Parker) Elizabeth Banks (Betty Brant) Erik Kleven (Chef) Gerry Becker (Maximilian Fargas)J. K. Simmons (J. Jonah Jameson)Jack Betts (Henry Balkan) James Franco (Harry Osborn) Joe Manganiello (Flash Thompson) K.K. Dodds (Simkins)Kevin L. Jackson (Bellman)Kirsten Dunst (Mary Jane Watson) Larry Joshua (Wrestling Promoter) Lou Torres (Enrique) Michael Papajohn (Carjacker) Peter Appel (Cabbie) R.C. Everbeck (Eddie Brock) Randy Savage (Bone Saw McGraw) Robert Kerman (Tugboat Captain)Ron Perkins (Dr. Mendell Stromm)Rosemary Harris (May Parker) Shane Habberstad (Little Billy)Stan Lee Stanley Anderson (General Slocum) Tammi Sutton (Street Vendor)Taylor Gilbert  (Madeline Watson)Ted Raimi (Hoffman) Tobey Maguire (Spider-Man/Peter Parker) Willem Dafoe (Green Goblin/Norman Osborn)
Fotografia: Don Burgess                              Música: Danny Elfman
Estreia no Brasil: 17.05.2002                        Estreia Mundial: 30.04.2002
Duração: 121 min.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Confiar

                 Filão Pedagógico

      Certa vez, pesquisando na INTERNET críticas sobre o filme Educação¹ (Reino Unido, 2009), encontrei a opinião de uma internauta que afirmava que se um dia fosse mãe utilizaria o longa-metragem para exemplificar algumas das muitas armadilhas a que estão sujeitas as adolescentes. Confiar (EUA, 2010), por certo, engrossa esse filão pedagógico na medida em que, não sendo um filme de época, como aquele primeiro, mas sim contemporâneo, investiga mais a fundo os perigos enfrentados pelos jovens na medida em que situa a trama no contexto da realidade virtual hoje experimentada².
       Isto posto, a produção dirigida pelo ex-Friends David Schwimmer, deixa claro que se antes trancar cadeados e acionar alarmes representavam medidas de segurança quase que suficientes contra os males vindos de fora – como, aliás, se esmera em fazer o pai interpretado por Clive Owen –, atualmente ameaças adentram lares pela via dos computadores e telefones celulares, assumindo, portanto, feições quase que invisíveis. Dentro deste contexto, Schwimmer surpreende positivamente ao segurar o ritmo do filme sem apelar para o viés do suspense, mostrando, assim, seu único interesse: discorrer sobre o drama de pais estupefatos quanto a própria ignorância e de uma filha atordoada quanto ao fim em definitivo de sua ingenuidade. Tais conflitos, vale dizer, só não são melhores nem garantem mais credibilidade a obra por causa do pequeno aproveitamento do papel da mãe, vivida pela talentosa Catherine Keener, e, sobretudo, em razão da interpretação limitada da protagonista Liana Liberato³. Para fins pedagógicos, porém, resta mais do que satisfatório. 
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1. Leia mais sobre o filme em http://setimacritica.blogspot.com.br/2010/06/transgressao-atraves-de-prismas-opostos.html
2. Não deixa de ser curioso, de qualquer forma, como os títulos dos dois filmes se completam na medida em que educação e confiança são peças chave no que tange a árdua missão de criar um filho.
3. Ainda que fosse muito nova a época das filmagens, fica a imaginação do quanto a personagem não ganharia nas mãos, por exemplo, da hoje mais velha Chloe Moretz.   
 
Ficha Técnica
Título Original: Trust
Direção: David Schwimmer          
Roteiro: Andy Bellin, Robert Festinger
Produção: Avi Lerner, Dana Golomb, David Schwimmer, Ed Cathell , Heidi Jo Markel, Robert Greenhut , Tom Hodges
Elenco: Aislinn DeButch (Katie) Chris Henry Coffey (Charlie/Graham Weston)Clive Owen (Will Cameron) Garrett Ryan (Marcus Weston)Gordon Michaels (Jerry)Inga R. Wilson (Aunt Nicole)Jason Clarke (Doug Tate)Jennifer Kincer (Charlie's Mom) Joseph Sikora (Rob Moscone) Laura Niemi (Susanna)Lauren Hirte (Becky)Liana Liberato (Annie Cameron) Marty Bufalini (Grandpa Cal)Max Bassett (FBI Agent John Dawson)Milica Govich (Ms. Worley) Nicole Forester (Susanna) Noah Crawford (Tyler)Noah Emmerich (Al Hart)Olivia Wickline (Louise)Robert Axelrod (Gun Salesman) Ruth Crawford (Grandma Susan) Sarab Kamoo (Officer Gomez) Shenell Randall (Alexa)Spencer Curnutt (Peter)Tristan Peach (Charlie)Viola Davis (Gail) Yolanda Mendoza (Tanya) Zanny Laird (Serena Edmonds)Zoe Levin (Brittany), Catherine Keener
Estreia Mundial: 10.09.2010     Estreia no Brasil: 23.10.2011
Duração: 104 min.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Para Roma Com Amor

          Nem Tudo Pode Dar Certo

        Ao longo de décadas Woody Allen lançou mão de uma fórmula calcada em tipos verborrágicos, neuróticos e piadistas, estratégia essa que, em decorrência de textos quase sempre muito inspirados, rendeu ótimos títulos a sua filmografia. De uns anos para cá a essa estrutura de roteiro somou-se uma estética de cartão postal produto de financiamentos voltados a explorar o potencial turístico das cidades de onde advém o dinheiro necessário para a feitura do trabalho¹.
       O problema, neste diapasão, é que uma vez sujeito a prestar homenagens anuais a determinados lugares, o diretor acaba por pesar a mão em determinadas ocasiões, entregando, por vezes, projetos carentes de autenticidade e ineditismo. Por isso, não é de estranhar a sensação de déjà vu a quem experimenta Para Roma Com Amor (EUA/Itália/Espanha, 2012) já tendo antes assistido Meia Noite em Paris, por exemplo.
      Não fosse o bastante, Allen repete um erro volta e meia por ele cometido, qual seja o manejo irregular de muitos personagens, tramas e subtramas – tal como pôde ser visto no antepenúltimo trabalho Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos – daí que salta aos olhos como a nova obra é dotada de personagens enfadonhos², envoltos em histórias dispensáveis.
      Felizmente, porém, nem tudo se perde nesta realização, afinal, algumas sequências boas e engraçadas podem, sim, ser detectadas, cenas essas que, vale ressaltar, possuem em comum o fato de ter em tela o cineasta apresentando aquele adorado personagem costumeiramente moldado a sua imagem e semelhança.
      Além de matar a saudade dos fãs³ angariando em torno de si as melhores piadas do filme, o diretor ainda apresenta uma versão mais jovem do seu alter ego falastrão e inseguro na pessoa do ator Jesse Eisenberg. Considerando que - a não ser por algumas exceções, como o ótimo Todos Dizem Eu Te Amo - o cineasta se sai muito melhor quando lida com um número menor de tipos e de situações, não seria má ideia se numa próxima vez Allen protagonizasse ao lado de Eisenberg e Larry David (ator principal de Tudo Pode Dar Certo) uma historia de poucos plots  e de curta duração - tal como feito em seus melhores trabalhos - que, explorasse, mais uma vez, aquele que é um dos grandes trunfos de suas produções: sua presença frente as câmeras. Essas sim são ‘repetições’ que não cansam.
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1. Neste contexto, ao contrário do que alguns podem pensar, não cabe a Allen o rótulo de artista vendido, mas sim de criador sortudo e talentoso o bastante para angariar mecenas não só privados como também públicos.
2. No que se destaca o italiano caricato interpretado por Roberto Benigni neste filme e em todo o resto de sua filmografia.
3. Woody Allen não atuava desde 2006, quando filmou Scoop - O Grande Truque.


Ficha Técnica  
Título Original: To Rome With Love
Direção e Roteiro: Woody Allen              
Produção: Letty Aronson, Stephen Tenenbaum
Elenco: Alec Baldwin (John)Alessandra Mastronardi (Milly)Alessandro Tiberi (Antonio)Alison Pill (Hayley)Antonio Albanese (Luca Salta)Carol Alt (Carol)Corrado Fortuna (Rocco)David Pasquesi (Tim)Ellen Page (Monica)Fabio Armiliato (Giancarlo)Flavio Parenti (Michelangelo) Greta Gerwig (Sally)Isabella Ferrari, Jesse Eisenberg (Jack)Judy Davis (Phyllis) Lynn Swanson (Ellen) Marta Zoffoli (Marisa Raguso)Monica Nappo (Sofia)Ornella Muti (Pia Fusari)Penélope Cruz (Anna) Roberto Benigni (Leopoldo)Rosa Di Brigida (Rosa Di Brigida)Vinicio Marchioni (Aldo Romano)Woody Allen (Jerry)
Fotografia: Darius Khondji
Estreia Mundial: 01.06.2012     Estreia no Brasil: 29.06.2012
Duração: 107 min.