EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Grande Ditador

O Grande Artista

Charlie Chaplin, ainda nos anos 20, além de ver suas interpretações serem rotineiramente comparadas com as do comediante francês Max Linder – artista por quem o primeiro assumia, sem qualquer pudor, ter sido influenciado – enfrentava a boçalidade da crítica, leia-se elite, vigente, eis que para tal grupo a comédia visual não passava de entretenimento barato que jamais poderia ser encarada como expressão artística.
Determinado a mostrar o valor de sua obra, Chaplin – inspirado pelo relacionamento nutrido com Peggy Hopkins Joyce – roteirizou e dirigiu o drama Casamento ou Luxo (A Woman of Paris- EUA, 1923), filme no qual sua participação como ator não passara de uma rápida aparição.
Apesar de não haver conquistado nas bilheterias o mesmo êxito obtido pelos trabalhos cômicos anteriores, o longa-metragem recebeu, em conformidade com o que Chaplin almejava, comentários elogiosos e, principalmente, desprovidos de preconceito, comprovando, assim, a versatilidade do diretor, qualidade essa que ao longo do tempo fora ratificada a cada novo trabalho, através de geniais fusões de comédia, drama e, sobretudo, crítica social.
Não obstante a importância da produção supracitada, por certo o trabalho responsável por elevar à enésima potência as qualidades e importância artísticas de Chaplin fora O Grande Ditador (EUA, 1940), obra na qual o humor servira de instrumento de reflexão e de repúdio a política internacional, bem como a II Guerra Mundial e ao anti-semitismo.
Como sabido, no filme Chaplin interpreta dois personagens: Adenoyd Hynkel, o fuhrer da Tomânia, além de um barbeiro judeu deveras parecido com aquele primeiro. Neste sentido, os letreiros iniciais preparam o espectador para o que virá pela frente ao avisar que as semelhanças entre o ditador (nazista) e o judeu não passariam de mera coincidência, opção essa que, tal qual o conjunto do filme, visa, acima de tudo, tripudiar e ridicularizar Adolf Hitler que, por certo, não deve ter ficado nada feliz, enquanto membro de uma raça ariana, em ser comparado a um judeu.
Para Chaplin, contudo, a igualdade entre os homens não deveria ser lembrada apenas para aplacar as divergências entre nazistas e judeus, mas sim ser defendida como um direito e uma garantia fundamental a todos os povos ou como fala o barbeiro judeu no emocionante discurso que encerra o filme: “Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades”.
Ao passo que o italiano Roberto Benigni teve seu A Vida é Bela (La Vita è Bella, Itália, 1997) criticado, com justiça, por romantizar ao extremo os infortúnios do holocausto, Chaplin jamais pudera ser acusado do mesmo mal, eis que as agruras da guerra não são por ele amenizadas em momento algum, sendo o riso, como já dito, utilizado para tripudiar o nazifascismo e seus líderes Adolf Hitler/Adenoid Hynkel e Benito Mussolini que na versão cinematográfica do cineasta é batizado como Benzini Napaloni.
Dentro deste contexto, a tradicional piada com comida é utilizada de modo metafórico numa guerra de espaguete entre os ditadores que demonstrara não só a empáfia de ambos como também a sensação de superioridade de um sobre o outro - o que, inclusive, enfraqueceria a aliança nazifascista, afinal, o mundo não poderia ter dois, mas sim um único dono.
Satirizando desde a forma de oratória de Hitler até as fracassadas tentativas de assinatura do pacto de não invasão da União Soviética, Charlie Chaplin – graças ao fato de naquele período já haver alcançado a independência financeira necessária a realização de seus projetos, possuindo, neste passo, seu próprio estúdio bem como sua própria distribuidora, a United Artists¹ - pôde realizar um trabalho deveras ousado – ainda mais quando se leva em conta que à época os Estados Unidos tentavam manter uma posição de neutralidade perante a II Guerra – que, por óbvio, levantou contra ele especulações por parte do governo alemão acerca de uma suposta ascendência judaica do artista², gerando, assim, uma controvérsia que, tamanha sua inutilidade, jamais fora contestada ou negada por Chaplin.
Através de O Grande Ditador, o cineasta se firmou não só como artista mas também como homem politizado, demonstrando, em primeiro lugar, o quão errôneas eram as afirmações daqueles que na década de 20 o rotulavam como um palhaço vulgar e, em segundo lugar, o fato de não ser um diretor acomodado com o sucesso, mas sim engajado em métodos de produção voltados a, através do humor, levar adiante as mensagens libertárias tão necessárias para o momento.
A dura resistência de Chaplin contra os ideais nazistas não significava, entretanto, uma irrestrita defesa do mesmo para com o método de produção capitalista característico dos países aliados, pois para o eterno Carlitos o que importava mesmo não era a filiação política e sim o respeito a vida humana.
Por isso, já em 1947, isto é, nos primeiros anos da Guerra Fria, Charlie Chaplin lançou o filme de humor negro Monsieur Verdoux cuja polêmica gerada fora imensa por conta de um protagonista assassino em série que ao ser julgado alega em defesa que, apesar do homicídio enquanto ato praticado de forma isolada ser uma conduta ilícita, os assassinatos justificados pela guerra eram enaltecidos pelo Estado e pelo povo, ou conforme as palavras do personagem: “Um assassinato transforma uma pessoa em vilã, milhões a transformam em herói. Os números santificam”.
Por óbvio tal posicionamento serviu para taxar Chaplin, em definitivo, como esquerdista, motivo pelo qual o artista passou a ser fortemente perseguido pela caça às bruxas da era macarthista, sendo seu nome, inclusive, mencionado na chamada Lista Negra de Hollywood, o que culminaria na revogação de seu visto de permanência nos Estados Unidos.
Mas esse já é um outro capítulo da vida do grande Charles Chaplin...

1.     Juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith, Chaplin co-fundou a United Artists em 1919.
2.     Não há documentos comprobatórios da ascendência judaica de Chaplin. Embora tenha sido batizado na Igreja da Inglaterra, Chaplin assumiu-se como agnóstico durante a maior parte da vida (Fonte: The Religious Affiliation of Charlie Chaplin. Adherents.com - 2005).
3.     “Chaplin morreu dormindo aos 88 anos de idade em conseqüência de um derrame cerebral, no Dia de Natal de 1977 na Suíça (...). No dia 01.03.1978 seu corpo foi roubado da sepultura por um pequeno grupo de mecânicos suíços, na tentativa de extorquir dinheiro de sua família. O plano falhou, os ladrões foram capturados e condenados, o corpo foi recuperado onze semanas depois” (FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charlie_Chaplin)

COTAÇÃO - ☼☼☼☼☼ 

Ficha Técnica:
Título Original: The Great Dictator
Direção e Roteiro: Charles Chaplin
Elenco: Carter DeHaven (Bacterian ambassador) Paulette Goddard (Hannah)Jack Oakie (Benzini Napaloni)Reginald Gardiner (Commander Schultz)Henry Daniell (Garbitsch)Charles Chaplin (Adenoid Hynkel/Jewish Barber) Paul Weigel (Mr. Agar)Bernard Gorcey (Mr. Mann)Emma Dunn (Mrs. Jaeckel)Billy Gilbert (Field Marshal Herring)Grace Hayle (Madame Napaloni)Maurice Moscovitch (Mr. Jaeckel)
Duração: 124 minutos

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Tropa de Elite 1 e 2

A Superação de um Fenômeno
                      
Eis que o Capitão Nascimento – agora promovido a tenente-coronel – voltou! Numa inevitável comparação com o filme antecessor, Tropa de Elite 2 (Brasil, 2010) revela um trabalho ainda mais coeso e maduro do diretor José Padilha, pois enquanto o primeiro volume mostrava um impecável rigor técnico, suas críticas sociais e contra a corrupção policial cutucavam de forma por vezes pouco incisiva as feridas do sistema dada a preferência pela concentração da trama em torno dos dilemas pessoais dos personagens, o que, vale lembrar, nem sempre surtia o resultado esperado em virtude das interpretações vacilantes de determinados membros do elenco.
A seqüência do sucesso de 2007, em contrapartida, não deixa de abordar dramas particulares - que, desta vez, se limitam a pessoa do anti-herói Nascimento – mas também logra êxito em ter seu horizonte expandido por conta do roteiro redondinho de Bráulio Mantovani. Dentro deste contexto, as mazelas tupiniquins são novamente expostas, porém, nesta oportunidade são diretamente relacionadas a conchavos entre a polícia e os poderes executivo e legislativo, numa teoria que de conspiratória, infelizmente, nada tem.
É curioso como enquanto o primeiro filme que não era para ter como estrela principal o Capitão Nascimento acabou sendo montado dessa maneira em razão da avassaladora atuação de Wagner Moura, ao passo que Tropa de Elite 2, apesar de amplamente divulgado como a produção oficialmente protagonizada por aquele personagem, acaba abrindo mão de razoável tempo em tela do mesmo para tornar a trama, assim, ainda mais intricada graças aos deliciosos e funcionais personagens coadjuvantes.
 José Padilha demonstra, desta feita, um louvável compromisso com a história a ser contada, não se rendendo, portanto, a caminhos que poderiam ser bem mais simples e seguros, considerando a aceitação pública perante o trabalho anterior e principalmente para com o papel defendido por Wagner Moura. Isto posto, o cineasta em conjunto com o roteirista supracitado e com sua brilhante equipe técnica – praticamente a mesma da obra antecessora – optam por não fazer mais do mesmo e sim por aparar arestas pretéritas, bem como por preencher com doses maiores de conteúdo e densidade a análise crítica materializada em experiência cinematográfica.
                              Sim, Wagner Moura continua um monstro na pele do policial que marcará para sempre sua carreira. Sim, o recurso da narração permanece sendo utilizado com eficiência e sem, por conseguinte, retratar o óbvio. Sim, as cenas de ação são novamente ótimas. Sim, desta vez o elenco como um todo rende o esperado. Sim, a ferida agora é escancarada sem qualquer vestígio de piedade, motivo pelo qual a crítica sócio-político-econômica é muito mais dura. Sim, a música tema da vez – O Calibre dos Paralamas do Sucesso – além do necessário impacto sonoro, encaixa-se com exatidão muito maior a temática do longa-metragem.
                           Por isso tudo, tal qual conclui o Coronel Nascimento acerca do sistema, Tropa de Elite 2 é foda.

COTAÇÕES:

Tropa de Elite - ☼☼☼☼              

Tropa de Elite 2 - ☼☼☼☼☼ 

 

Ficha Técnica - Tropa de Elite

Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani, José Padilha, Rodrigo Pimentel
Produção: Marcos Prado, José Padilha
Estúdio: Zazen Produções
Elenco: André Felipe (André Mauro)André Ramiro (André Matias)Wagner Moura (Capitão Nascimento)Fábio Lago (Claudio Mendes de Lima 'Baiano')Patrick Santos (Tinho)Luiz Gonzaga de Almeida, Maria Ribeiro (Rosane)Caio Junqueira (Neto)Milhem Cortaz (Capitão Fábio)Marcelo Valle (Capitão Oliveira)Paulo Vilela (Edu)Cintia Rosa (Helen)Fernanda de Freitas (Roberta)Bruno Delia (Capitão Azevedo)Otto Jr. (Major Gouveia) Thiago Mendonça, Alexandre Mofatti (Sub-Comandante Carvalho)Erick Oliveira (Marcinho)Marcelo Escorel (Coronel Otávio)Emerson Gomes (Xaveco)Paulo Hamilton (Soldado Paulo)André Santinho (Tenente Renan)Thogun (Cabo Tião)Ricardo Sodré (Cabo Bocão)Fernanda Machado (Maria)Thelmo Fernandes (Sargento Alves)
Música: Pedro Bromfman
Fotografia: Lula Carvalho
Figurino: Cláudia Kopke
Edição: Daniel Rezende
Estreia Mundial: 2007
Duração: 118 minutos

 

Ficha técnica - Tropa de Elite 2

Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani, baseado em argumento de José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani
Produção: Marcos Prado
Estúdio: Zazen Produções
Elenco: Tainá Müller, Rod Carvalho (Capitão Barcellos)Milhem Cortaz (Capitão Fábio)Seu Jorge (Beirada)Maria Ribeiro (Rosane)Wagner Moura (Coronel Nascimento)André Ramiro (André Matias), Pedro Van Held
Música: Pedro Bromfman
Fotografia: Lula Carvalho
Direção de arte:Tiago Marques
Figurino: Cláudia Kopke
Edição: Daniel Rezende
Estreia no Brasil: 8 de Outubro de 2010
Duração: 116 min

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mother – A Busca Pela Verdade

Gol de Barriga

Após ver o filho deficiente mental ser preso pela suposta prática de homicídio, mãe inicia uma turbulenta jornada para provar a inocência do rebento e, ato contínuo, restituir-lhe a liberdade.
Partindo de uma premissa simples, Mother – A Busca Pela Verdade (Coréia do Sul, 2009) conquista de forma paulatina a atenção da platéia, na medida em que o suspense cresce e a trama se torna intricada e repleta de reviravoltas.
Apesar de ter um argumento típico de filmes ocidentais, Mother se mostra um produto genuinamente oriental tanto pela predileção de abordagem da fraqueza do caráter perante situações limite, quanto pela estupenda fotografia que com diversos planos médios e longos logra êxito em retratar a angústia da personagem principal, mesmo quando envolta por belas paisagens.
Ainda no campo das qualidades do longa-metragem, é impossível falar de Mother sem destacar a excepcional interpretação da atriz Kim Hye-ja que, desde a sequência de abertura, demonstra todo o sofrimento daquela mãe apenas com um olhar de choque e uma dança de movimentos dementes, revelando para o espectador a carga emocional que lhe será exposta nas próximas duas horas.
Registrados os devidos e justos elogios, resta, por último, frisar o único mas imenso problema da produção, qual seja os furos do roteiro no que tange a solução do mistério que envolve a história, falha essa que até o minuto final de duração tem-se a esperança de ser sanada, o que, infelizmente, não ocorre.
Seriam lacunas tão visíveis propositais? Somente uma dose generosa de boa vontade seria capaz de comportar tal compreensão. Por isso, Mother não deixa de representar uma nova vitória do cinema sul-coreano, porém, desta vez, o gol não foi de placa, mas de barriga.

COTAÇÃO - ***

Ficha Técnica
Título Original: Madeo
Direção:  Joon-ho Bong
Elenco: Sae-Beauk Song (detetive)Woo-hee Chun (Mina)Kim Hye-ja (mãe)Bin Won (Yoon Do-joon)Jin Goo (Jin-tae )Yoon Je-Moon (Je-mun)Mi-sun Jun (Mi-sun)
Estreia no Brasil: 6 de Fevereiro de 2010
Duração: 128 minutos

domingo, 17 de outubro de 2010

Confissões de uma Garota de Programa


Nem Tanto Lá Nem Tanto Cá

Enquanto Lars Von Trier almeja ser considerado o melhor cineasta dos novos tempos, Steven Soderbergh briga para ser mencionado como o mais profícuo, seja lá o que isso queira dizer.
Neste passo, Soderbergh se esmera em produzir trabalhos de qualidades ora superestimadas ora duvidosas em nome da pressa. Dentro deste contexto, ainda que o diretor não tenha percebido que quantidade não necessariamente é sinônimo de qualidade, uma de suas obras merece a devida atenção por ter logrado o êxito de dividir em pólos totalmente opostos a crítica especializada, qual seja o filme Confissões de uma Garota de Programa (EUA, 2009).
Apesar de tratado como um produto do tipo “ame ou deixe”, Confissões... não chega a alcançar o patamar de nenhum desses extremos, eis que, na verdade, seu real propósito é o de provocar não tanto pela temática mas sim pela forma com que a narrativa evolui.
Fundando-se numa história que de original pouco tem, Soderbergh bebe da fonte do cinema francês e sua Nouvelle Vague para subverter a ordem, preferindo, por conseguinte, contar o enredo de um modo aparentemente aleatório e pouco preocupado em obedecer a uma continuidade padronizada.
Por isso, Confissões... é um filme que demora a engrenar mas que encaixa com exatidão as peças aparentemente soltas, razão pela qual é possível concluir que Soderbergh reservou, em meio a sua produção em massa, espaço para um experimento ousado e, sobretudo, desprovido de apelo comercial.
Tal proposta, felizmente, não se revela pretensiosa, eis que inconteste o cuidado para com a concepção visual da obra, bem como para com a condução do elenco – aspecto último esse no qual vale destacar o principal e único chamariz de polêmica e de público do longa-metragem: a presença da atriz pornô Sasha Grey que acaba tirando de letra sua estréia na tela grande por conta de uma interpretação contida e mergulhada em melancolia.
Confissões de uma Garota de Programa não faz jus a todos os elogios mencionados por parcela dos críticos, assim como também não é merecedor de todas as opiniões negativas e exageradas das quais servira de alvo, afinal, o objetivo de causar instigação e – por que não? – incômodo resta cumprido com mérito ainda que o cerne do argumento por vezes patine no lugar comum.
De qualquer modo, a estruturação anárquica do trabalho há de, no mínimo, ser saudada por representar um breve sopro de inteligência quanto ao manejo da forma em tempos de produções tão preguiçosas.

COTAÇÃO - ***

Ficha Técnica
Título Original: The Girlfriend Experience
Direção: Steven Soderbergh
Elenco:Sasha Grey (Chelsea) Ted Jessup (Chatty John)Timothy Davis (Tim)Timothy J. Cox (Businessman) Chris Santos (Chris)Bridget Storm (Cliente)
Estreia no Brasil: 31 de Julho de 2009
Duração: 77 minutos