EDITORIAL

Após muito pensar sobre a descrição do blog, topei com o seguinte texto de Leon Cakoff, in Os Filmes da Minha Vida, São Paulo: Imprensa Oficial, 2010: “qualquer imagem de qualquer época, mesmo que seja manipulada, pode ter seu valor enquanto documento. (...) Todas as imagens tem uma função. (...) A Elite pensante, em qualquer geração ou situação, corre um perigo muito grande. O de torcer o nariz para o que seja popular. (...) o ruim, na pior das hipóteses, nos ajuda a discernir o que é melhor”.

Assim, o cinema de qualquer período, lugar e/ou artista poderá aqui ser analisado, sem que a distinção entre filme de arte e diversão escapista interfira no processo, afinal, tanto o rigor quanto o formalismo em demasia podem impedir a descoberta de pequenos grandes prazeres muitas vezes encontrados nas pedras menos lapidadas. Ou, como diria um conhecido nosso, numa síntese descaradamente pop: “why so serious?”.




quarta-feira, 31 de março de 2010

Um Sonho Possível





CLICHÊ

Francamente Um Sonho Possível (The Blind Side, John Lee Hancock. 2010) não é um filme que fomente uma crítica extensa e detalhada, isso porque sua retratação da história-de-superação-de-um-desabrigado-que-acaba-se-tornando-um-astro-do-futebol-americano nada mais é do que o típico exemplo de produção milimetricamente arquitetada para agradar ao grande público e, por conseguinte, ao mercado.
Neste sentido, uma profusão de clichês, estereótipos e maneirismos é despejada ao longo de exageradas 2 horas e 10 minutos de duração. Não fosse o bastante, além de não convencer enquanto drama, dada a superficialidade e o maniqueísmo de sua direção, a obra também não logra êxito em sua fração esportiva, eis que fracassa naquilo que deveria servir como trunfo e gancho emocional à história: as cenas das partidas de futebol - que, de tão tímidas em sua montagem e fotografia, são incapazes de transmitir qualquer emoção.
Num ano, até então, fraco em lançamentos cinematográficos, tem-se um curioso caso de filme que consegue enganar a muitos e a, inclusive, parte da crítica especializada, a qual - sabe-se lá por qual motivo - decidiu “comprar” a idéia de que Sandra Bullock se tornou uma atriz de respeito – quando, na verdade, a mesma apenas se esmera em conter suas caras e bocas já tão conhecidas de trabalhos passados.

Como pontos positivos para serem citados, restam apenas a inteligente ausência da tradicional trilha sonora edificante (via de regra, imersa na sacarina), bem como a atuação do garoto Jae Head que, na pele do personagem S.J., atropela com seu carisma e naturalidade quem quer que esteja contracenando com ele, o que, inevitavelmente, fomenta o seguinte questionamento: apesar da presença de um talento nato como o seu, pronto para ser explorado e instigado, por que insistir em figurinhas repetidas que, como sabido, mordem além do que conseguem mastigar?

COTAÇÃO: ¤¤

Ficha Técnica

Título Original: The Blind Side 
Direção e Roteiro: John Lee Hancock 
Elenco: IronE Singleton (Alton), Matthew Atkinson (Valet), Ashley LeConte Campbell (Sherry), Preston Brant (Marcus), Quinton Aaron (Michael Oher), Ray McKinnon (Burt Cotton),Rhoda Griffis (Beth), Sandra Bullock (Leigh Anne Touhy), Catherine Dyer (Mrs. Smith), Sharon Morris (Granger), Andy Stahl (Paul Sandstrom),Tim McGraw (Sean Tuohy), Sharon McHenryPower (Mother), Kathy Bates (Miss Sue), Tom Nowicki (Bob), Eaddy Mays (Elaine), Lily Collins (Collins), Shawn Knowles (Scott Turner)Jae Head (S.J.)
Estreia: 19 de Março de 2010
Duração: 128 minutos